O Chrome acaba de soltar versões experimentais das três Core Web Vitals dentro do CrUX (Chrome User Experience Report), e dessa vez o foco é nas chamadas “soft navigations” — aquelas trocas de conteúdo que acontecem dentro de aplicações de página única (SPAs) sem precisar recarregar tudo do zero. A novidade já está disponível no BigQuery, na API do CrUX e na History API desde o lançamento publicado em 13 de outubro, e o CrUX Vis ganhou um botãozinho novo para ativar essa visualização.
Na prática, quem deve sentir diferença são os sites que apostam pesado em soft navigation. Segundo o próprio Google, cerca de 70% das origens cadastradas no CrUX têm pouco ou quase nenhum tráfego desse tipo, então a maioria dos sites nem vai perceber mudança significativa. Já quem depende bastante desse tipo de transição tende a ver notas experimentais mais altas do que as atuais.
Por enquanto, os números oficiais (os “estáveis”) continuam exatamente como estão — nada muda na prática para quem usa o Search Console hoje. A ideia do Chrome é tirar essas métricas da fase experimental até maio de 2027, dependendo do retorno que a equipe receber da comunidade. Quando isso acontecer, o Search Console deve incorporar os novos dados automaticamente.
O que mudou nessa atualização do CrUX
Foram incluídos três novos campos: experimental_largest_contentful_paint_with_softnavs, além de um equivalente para INP e outro para CLS. Eles medem exatamente a mesma coisa que as versões estáveis desses indicadores, só que agora contabilizam tanto os carregamentos completos quanto os eventos de soft navigation detectados.
Antes dessa mudança, o CrUX só enxergava o primeiro carregamento de uma SPA. Tudo que acontecia depois — as trocas internas de tela — ficava “jogado” na conta da URL inicial, incluindo interações e mudanças de layout. Agora, cada vez que uma ação do usuário muda conteúdo e URL ao mesmo tempo, isso é registrado separadamente, com as métricas atribuídas à URL de destino, claro, respeitando os critérios normais de elegibilidade.
Essa captura de dados vem da Soft Navigations API, que já está ativada por padrão desde o lançamento do Chrome versão 151, em 28 de julho. Basicamente, quando uma ação do usuário provoca tanto uma mudança visível na URL quanto uma renderização visível, o Chrome classifica isso como “soft navigation”.
Quais sites realmente sentem a mudança no soft navigation
O relatório do Google organizou as origens do CrUX de acordo com a proporção de page views que são soft navigations. Entre 66% e 75% das origens têm menos de 5% desse tipo de navegação, variando conforme a plataforma. Apenas 7,0% no Android e 10,6% no desktop ultrapassam a metade.
Entre os 1.000 sites mais acessados, porém, o cenário muda bastante: 35% no Android e 42% no desktop dependem de soft navigations para mais da metade de suas visualizações de página.
Annie Sullivan, autora do post original, resume a situação da seguinte forma:
“Se o seu site não usa JavaScript para trocar dinamicamente o conteúdo da página e atualizar a URL sem um recarregamento completo do navegador, você não deve esperar nenhuma mudança nas suas métricas.”
Como as notas se movimentam com as novas métricas
Para sites em que mais da metade das page views são soft navigations, as três métricas melhoram. Entre as origens Android com 75% a 100% de soft navigations, a fatia com bom LCP salta de 26% (na métrica estável) para 87% (na experimental). Sullivan explica:
“Isso não acontece porque SPAs são mais rápidas que sites multipágina (MPAs) de forma geral, mas porque os cliques subsequentes são mais rápidos em qualquer site, o que coloca as SPAs com muitas visitas de acompanhamento no mesmo patamar das MPAs com muitas visitas de acompanhamento.”
Já o INP melhora porque passa a medir a responsividade por page view, em vez de considerar a interação mais lenta de toda a sessão. Isso praticamente dobra as taxas de aprovação no Android para sites que dependem principalmente de soft navigations. Ainda assim, sites muito carregados de SPA continuam atrás dos multipágina nesse quesito, já que o excesso de JavaScript durante as trocas de tela pode pesar negativamente.
O CLS também teve ganhos, uma vez que todos os eventos de deslocamento de layout agora são agrupados por visualização, e não por sessão inteira. Segundo a autora, isso deixa os sites desktop com muita SPA equiparados aos multipágina — já no Android, a diferença ainda existe, embora pequena.
Vale destacar um número do relatório de setembro: 55,9% de todas as origens passaram bem no teste de Core Web Vitals quando as soft navigations não eram contabilizadas. Considerando essas navegações, o índice sobe para 59,5%.
Por que isso importa para quem cuida de SPA
Em resumo, essas novas métricas do Chrome mostram o desempenho real de uma SPA ao medir cada soft navigation isoladamente, em vez de jogar toda a responsabilidade na página de entrada. Isso dá um retrato bem mais justo de como a experiência do usuário realmente se comporta dentro do app.
Se o seu site é bastante dependente desse tipo de navegação, dá para ativar o novo botão “Include soft navigations” no CrUX Vis e comparar lado a lado as duas versões de cada métrica. Assim fica mais fácil enxergar se o site atinge os limites do Google nos números experimentais e quais indicadores mudam mais. Só não esqueça que esses valores ainda podem ser ajustados antes de o Search Console incorporá-los oficialmente. Por outro lado, em sites que recarregam a página a cada clique, ativar essa opção não deve fazer diferença nenhuma.
O que vem pela frente
Como todas as métricas ainda estão em fase experimental, o Chrome pede feedback através do grupo web-vitals e do repositório da especificação de soft navigations no GitHub. A recomendação é interpretar os números com cautela por enquanto, já que a própria equipe admite que “é esperado ver algumas oscilações de mês a mês conforme a medição evolui”.
O próximo marco é o lançamento de novembro do CrUX, que deve trazer versões de soft navigation para o FCP e para os tipos de navegação. Dentro do ciclo de vida das Web Vitals, uma métrica passa de experimental para pendente por pelo menos seis meses antes de ser considerada estável. O Google reforça que vai migrar o Search Console assim que essas métricas deixarem a fase experimental, embora o anúncio não especifique qual etapa vem em seguida. Por isso, vale ficar de olho nas notas de lançamento para acompanhar se a meta de maio de 2027 muda ou se a forma de descrever esse progresso é atualizada.
Com informações de searchenginejournal.com.