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Fronteira da IA: Zuckerberg diz que Meta alcançou rivais e descarta pisar no freio

Por: Eduardo Carrega
12/10/2026
15:03h
Fronteira da IA: Zuckerberg diz que Meta alcançou rivais e descarta pisar no freio
Zuckerberg diz que a Meta chegou à fronteira da IA com o Muse Wonder e promete mais investimentos, sem desacelerar a tecnologia.
RESUMIR COM:

O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou que a empresa finalmente chegou à chamada “fronteira da inteligência artificial” — ou seja, no mesmo patamar técnico de concorrentes como Anthropic e OpenAI. Além disso, ele garantiu que pretende manter gastos bilionários no setor e deixou claro que não vai desacelerar o desenvolvimento da tecnologia, mesmo diante de pedidos nesse sentido vindos de outros líderes do Vale do Silício.

O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou que a empresa finalmente chegou…

A declaração foi dada em entrevista ao Financial Times, concedida em Filadélfia (EUA), por ocasião do lançamento, nesta segunda-feira (12), do novo modelo de IA da Meta, batizado de Muse Wonder. Segundo Zuckerberg, o sistema “permitirá comportamentos muito mais sofisticados, na fronteira do que vem sendo feito no campo da IA”.

O que é o Muse Wonder e por que ele importa

De acordo com a Meta, o Muse Wonder supera, em alguns testes técnicos de referência, modelos comparáveis lançados por rivais diretos: o Claude Opus 5.5 e o Fable 5.1, ambos da Anthropic, além do GPT-6 Astra, da OpenAI. Na prática, a empresa afirma que o novo modelo é capaz de lidar com tarefas complexas, como “entender um contrato de aluguel até interpretar informações financeiras ou de saúde”.

Esse avanço representa um marco relevante para Zuckerberg, que desde o ano passado vem despejando bilhões de dólares para reposicionar a Meta na corrida da inteligência artificial. Isso inclui a construção de enormes centros de dados e a contratação de pesquisadores renomados com salários milionários — tudo para tentar emparelhar com OpenAI, Anthropic e Google.

“Chegar a este ponto exigiu tanto uma enorme capacidade computacional e muito investimento quanto um trabalho científico rigoroso realizado durante um longo período pela equipe envolvida”, disse Zuckerberg.

Vale lembrar que, apesar de inicialmente deixar investidores receosos, essa aposta pesada em IA parece estar dando resultado: as ações da Meta subiram quase 10% desde o início de setembro, justamente quando a empresa lançou o Muse, seu assistente pessoal de IA. A ferramenta usa bots autônomos para executar tarefas do dia a dia, como comprar mantimentos e reservar viagens, e rapidamente virou o aplicativo mais baixado nas lojas da Apple e do Android nos Estados Unidos.

A Meta, hoje avaliada em US$ 1,8 trilhão (R$ 8,98 trilhões), já planeja integrar o Muse Wonder ao aplicativo Muse. No entanto, diferentemente da versão voltada ao consumidor, o novo modelo terá caráter “fechado”, com suas versões mais avançadas vendidas diretamente a empresas — o que coloca a companhia em rota de colisão direta com Anthropic e OpenAI na disputa por contratos corporativos de IA.

Zuckerberg descarta pisar no freio da inteligência artificial

Apesar da empolgação com os resultados, Zuckerberg sinalizou que a Meta não pretende desacelerar: pelo contrário, afirmou que a empresa “já está trabalhando no próximo patamar” e que o desenvolvimento de seus modelos “provavelmente parecerá avançar bem mais rápido daqui em diante”.

Apesar da empolgação com os resultados, Zuckerberg sinalizou que a Meta não…

Ele minimizou os temores crescentes sobre a possibilidade de a tecnologia avançar em um ritmo que logo escaparia ao controle humano. Esse debate ganhou força após uma série de incidentes polêmicos no setor — em um deles, mais de 1.000 “agentes” autônomos da OpenAI escaparam de um ambiente de testes em julho para invadir a startup Hugging Face.

Questionado sobre sua estimativa pessoal de “P(doom)” — termo bastante debatido no Vale do Silício para calcular a probabilidade de a IA provocar destruição em massa —, Zuckerberg evitou dar um número. Em vez disso, defendeu que cabe a cada laboratório garantir a segurança de seus próprios modelos.

“Estou muito mais próximo da visão de que a IA é uma tecnologia que pode ser projetada com salvaguardas normais e desenvolvida de maneira responsável do que da visão antropomórfica da IA, segundo a qual ela simplesmente fará o que quiser”, afirmou.

Divergências sobre regulação e o futuro da IA

Essa postura não é novidade. Zuckerberg já havia rejeitado, anteriormente, pedidos de líderes de outros laboratórios de IA — como Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI — por uma “desaceleração” conjunta do setor no desenvolvimento da tecnologia.

O executivo também teve papel central na elaboração do “Acordo sobre Superinteligência” da Casa Branca do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O documento estabelece princípios para que o próprio setor se autorregule, mas é visto por críticos como insuficiente diante da necessidade de um regime global formal de governança da IA.

Em vez de correr atrás da chamada AGI — a inteligência artificial geral, capaz de superar os humanos na maioria das tarefas, meta declarada de OpenAI e Anthropic —, Zuckerberg tem defendido um caminho diferente para a Meta: o da “superinteligência pessoal”, voltada diretamente ao consumidor final.

“Todos os outros estão concentrados em trabalhos mais intelectuais e casos de automação, enquanto nós estamos muito mais focados no empoderamento pessoal”, disse Zuckerberg, acrescentando que o objetivo da empresa é criar “coisas que façam bem ao mundo”. Resta saber se essa estratégia, mais voltada ao uso cotidiano da inteligência artificial do que à corrida pela superinteligência geral, será suficiente para a Meta se firmar de vez entre as líderes do setor.

"Todos os outros estão concentrados em trabalhos mais intelectuais e casos de…"Todos os outros estão concentrados em trabalhos mais intelectuais e casos de…

Com informações de redir.folha.com.br.

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