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Dívida para IA: captação desacelera diante da cautela dos investidores — entenda o motivo

Por: Eduardo Carrega
11/10/2026
04:00h
Dívida para IA: captação desacelera diante da cautela dos investidores — entenda o motivo
A captação de dívida para IA caiu pela metade em setembro, segundo o Morgan Stanley, em meio à cautela de investidores com o endividamento do setor.
RESUMIR COM:

O ritmo de novas dívidas captadas por empresas de tecnologia para bancar os projetos bilionários de inteligência artificial perdeu força de forma expressiva no mês passado. O motivo? Investidores passaram a olhar com mais desconfiança para os riscos do setor, depois de meses de endividamento acelerado e, segundo analistas, pouco criterioso.

Captação de dívida para IA despenca em setembro

De acordo com dados compilados pelo Morgan Stanley — que consideram tanto títulos públicos quanto operações de colocação privada —, a emissão global de dívida relacionada à IA somou US$ 23 bilhões (R$ 114,79 bilhões) em setembro. O valor representa menos da metade do que havia sido captado no mês anterior. Na prática, o novo financiamento vem recuando de forma constante desde junho, quando o mercado bateu recorde: US$ 113 bilhões (R$ 564 bilhões) levantados para pagar por infraestrutura essencial à tecnologia, como data centers e chips.

De acordo com dados compilados pelo Morgan Stanley — que consideram tanto…

A situação chama ainda mais atenção no mercado americano de títulos com grau de investimento. Nesse segmento, grandes grupos de tecnologia haviam captado cerca de US$ 306 bilhões (R$ 1,5 trilhão) entre janeiro e agosto — mas, no mês passado, a emissão de títulos ligados à IA simplesmente parou.

Por que a captação de dívida para IA está travando

Segundo o Morgan Stanley, parte da queda se explica pelo volume elevado de dívida já captado no início do ano — ou seja, muitas empresas já tinham se financiado bastante antes mesmo de setembro. No entanto, cresce entre os investidores a preocupação com o retorno de longo prazo de aportes tão pesados, em um cenário no qual a construção de data centers enfrenta resistência política cada vez maior.

O recuo chega num momento delicado: investidores estão reavaliando o tamanho da própria exposição à IA e de olho no endividamento crescente de algumas empresas, além das incertezas sobre quanto ainda será preciso gastar.

“O financiamento efetivo do dia a dia está ficando um pouco mais complicado. Todos estão sendo procurados, e todos estão ficando um pouco mais rigorosos.” — John Aylward, fundador da gestora de crédito londrina Sona Asset Management

A fala foi dada durante o Private Capital Summit, promovido pelo FT e pela Latham & Watkins em Londres nesta semana.

Um ano de recordes antes da freada

Vale lembrar que o ritmo das emissões de dívida puxadas pela IA disparou ao longo deste ano. Estima-se que as empresas tenham captado até agora US$ 466 bilhões (R$ 2,3 trilhões) em dívida vinculada à IA em 2026 — ante apenas US$ 101 bilhões (R$ 504 bilhões) no mesmo período do ano passado, segundo o Morgan Stanley. Esse volume gigantesco de oferta, por sua vez, deu força aos investidores de crédito para exigir rendimentos mais altos, o que acabou elevando os custos de captação dos hiperescaladores.

Essa mudança de humor deve testar, inclusive, as próximas operações bilionárias voltadas a financiar a compra de chips avançados de IA. Bancos de Wall Street, por exemplo, estão estruturando um pacote de financiamento de US$ 60 bilhões para Broadcom e Anthropic, enquanto a SpaceX negocia a captação de US$ 40 bilhões (R$ 199 bilhões) para comprar chips da Nvidia. A expectativa é que as duas operações sejam distribuídas a uma ampla base de investidores nos próximos meses.

Data centers enfrentam resistência local

Enquanto as maiores empresas de tecnologia do mundo disputam cada centavo disponível no mercado, data centers espalhados pelos Estados Unidos começaram a esbarrar em oposição das próprias comunidades locais. Moradores temem que essas instalações — que consomem quantidades enormes de energia — comprometam o abastecimento de água e a qualidade do ar nas regiões onde são instaladas.

Um dos casos mais emblemáticos é o “Project Jupiter”, o gigantesco campus de data centers da Oracle no Novo México. Cerca de US$ 18 bilhões (quase R$ 90 bilhões) em empréstimos vinculados ao projeto estão sob pressão extra depois que a Oracle emitiu uma notificação de força maior, já que o local enfrentou dificuldades para obter acesso à eletricidade. Nos últimos dias, segundo pessoas familiarizadas com a transação, esses empréstimos chegaram a ser cotados de forma privada a cerca de US$ 0,85 por dólar.

“Vamos aprender rápido o suficiente?”

Diante desse cenário, surgem questionamentos sobre os riscos mais amplos do financiamento de data centers. Jordan Rieger, sócio-diretor e chefe de crédito europeu da Monarch Alternative Capital, resumiu a dúvida que ronda o mercado:

“Será que vamos aprender rápido o suficiente com esses erros?”

Apesar do tom de alerta, Rieger pondera que a desaceleração recente pode representar uma oportunidade bem-vinda para que investidores em dívida reavaliem o risco de crédito, depois de terem sido inundados por novas emissões nos últimos meses. “É uma pausa saudável para perguntar: estruturamos corretamente essas linhas de crédito?”, completou.

Já Rob Dafforn, diretor de investimentos da gestora especializada em dívida problemática Polus Capital, foi direto ao afirmar que a “especulação” desenfreada e as operações “altamente alavancadas” do setor significam que alguns investidores já estão pagando mais do que deveriam. “O custo de financiamento de algumas dessas transações é alto, e, diante dessa incerteza quanto aos prazos [e] aos perfis de retorno, não tenho certeza de onde o valor está realmente se acumulando no sistema”, disse Dafforn. Fundos como a Polus, aliás, têm ficado praticamente de fora da corrida da IA enquanto as avaliações das empresas disparavam — e, mesmo já mapeando a teia de operações de financiamento do setor, Dafforn ainda não fez nenhum investimento.

Já Rob Dafforn, diretor de investimentos da gestora especializada em dívida problemática…

Trilhos sendo construídos com o trem em movimento

O volume de dívida captado para a IA tem poucos precedentes na história recente, a ponto de transformar a maneira como empresas e governos emitem dívida em geral. Ainda assim, a velocidade com que essa tecnologia relativamente nova tomou conta dos mercados de crédito segue levantando dúvidas entre especialistas.

O volume de dívida captado para a IA tem poucos precedentes na…O volume de dívida captado para a IA tem poucos precedentes na…

Rieger resumiu bem o momento: “Muitas vezes, nós nos vemos em novos setores ou novos ramos construindo os trilhos enquanto conduzimos o trem. Esperamos que ele não descarrile antes que seja tarde demais.”

Com informações de redir.folha.com.br.

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Aviso de instabilidade temporária

*COMUNICADO IMPORTANTE SOBRE CONECTIVIDADE NESTA TARDE DE 25/05/2026 ✅*
Parte da rede nacional está apresentando instabilidades de acesso.
Há equipes em várias esferas já está atuando em conjunto com o data center responsável para identificar a causa e normalizar a conectividade o mais rápido possível.
O ambiente segue sendo monitorado em tempo real e novas atualizações serão disponibilizadas conforme houver avanço na análise.
Neste momento alguns VPS, Dedicados e Hospedagens compartilhadas estão com acesso limitado.

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