PEQUIM, 14 Set (Reuters) – A proposta para desacelerar IA, apresentada pelo presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, foi classificada pelo jornal estatal chinês Global Times como uma estratégia para conter o avanço tecnológico da China. Em editorial, a publicação afirmou que o texto parece tratar de segurança, mas, na prática, seria um “manual da Guerra Fria” voltado ao país asiático.
Desacelerar IA vira novo ponto de tensão entre EUA e China

O artigo de Amodei foi publicado no sábado e recebeu posteriormente o apoio do presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, e do fundador da SpaceX, Elon Musk. Nele, o executivo defendeu uma estrutura para moderar o ritmo de evolução dos modelos de IA de ponta e abrir mais tempo para lidar com os riscos de segurança que acompanham esse avanço.
Além disso, Amodei pediu que os Estados Unidos ampliem os controles sobre a exportação de chips para a China e combatam a suposta “destilação de modelos” realizada por laboratórios chineses de IA. Em entrevista à CBS News no domingo, ele afirmou que o “dilema mais difícil” de sua proposta seria uma eventual decisão da China e de outros países adversários de não desacelerar IA.
Para o Global Times, porém, a iniciativa tem outro objetivo. Segundo o editorial, a intenção seria usar restrições tecnológicas e regras de mercado para limitar o desenvolvimento chinês, preservar a liderança de Washington e afastar a China das discussões internacionais sobre governança da IA.
“Essa ‘Guerra Fria silenciosa da IA’ é hipócrita e míope”
O jornal também declarou que excluir a China da inovação global em IA “aumentaria significativamente os custos de tentativa e erro e os riscos de perda de controle no desenvolvimento global da IA”. Dessa forma, a publicação sustenta que uma política para desacelerar IA poderia aumentar, e não reduzir, os riscos do setor.
Debate sobre desacelerar IA ganha pressão política

Nos Estados Unidos, parlamentares vêm pressionando pela criação de novas regras para os sistemas de inteligência artificial. A mobilização ocorreu depois de dois pesquisadores da Anthropic fazerem alertas considerados alarmantes sobre a possibilidade de o avanço acelerado da tecnologia levar à extinção da raça humana em um futuro não muito distante.
Apesar dessas preocupações, o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou no domingo os apelos para desacelerar IA. Ele afirmou que “forças muito negativas” estariam apresentando preocupações exageradas sobre o desenvolvimento tecnológico.
“Estamos à frente da China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim, porque quem vencer na IA vence”
A declaração reforça o tom competitivo da disputa entre as duas maiores potências tecnológicas. Enquanto defensores de uma pausa destacam os riscos de segurança, o governo norte-americano demonstra preocupação em manter a dianteira sobre a China.
Próximas conversas devem tratar dos riscos

Os EUA e a China planejam discutir os riscos de segurança associados à IA de ponta em meados de setembro, conforme fontes citadas no relato. O assunto também poderá aparecer na cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, marcada para 24 de setembro.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, já afirmou que os países devem promover o desenvolvimento da IA de forma “aberta, inclusiva, universalmente benéfica e ética”. Assim, o debate sobre desacelerar IA deve continuar ligado não apenas à segurança dos modelos, mas também ao controle de chips, à competição internacional e às regras que vão orientar o setor.