O Google Search Central voltou a lembrar os administradores de sites de um detalhe técnico que pode parecer pequeno, mas tem peso direto no SEO: ao tirar um servidor do ar para aplicar correções no PHP, é essencial devolver um código de status 503, sinalizando ao Google que a indisponibilidade é passageira. O recado veio num post no LinkedIn publicado justamente na quarta-feira em que o PHP lançou correções emergenciais para duas falhas críticas que permitiam a execução de código por invasores sem necessidade de login.
O aviso, porém, não especifica por quanto tempo o 503 pode permanecer ativo. Vale aqui recorrer à documentação do Google sobre taxa de rastreamento, que desaconselha manter esse status por mais de um a dois dias — já que URLs que continuam devolvendo esse código por vários dias seguidos correm o risco de sair do índice.
O que disseram o Google e Mueller sobre o erro 503
Na publicação, o Google Search Central explicou:
“Servir um código de status HTTP 503 (Serviço Indisponível) garante que as URLs já indexadas sejam preservadas na Busca enquanto você trabalha. Assim que você voltar a servir respostas 200, tudo volta ao normal naturalmente.”
O texto também alertou contra o uso de páginas genéricas de erro 404 ou até páginas de erro com status 200 durante a manutenção, e remeteu à página do Google sobre como os códigos de status HTTP afetam seus rastreadores. Não é exatamente novidade: já em 2013, John Mueller, do Google, havia escrito que devolver uma página de erro com status 200 OK faz com que o Google acabe indexando esse conteúdo de erro — o que, convenhamos, é o oposto do que qualquer site quer.
Mueller, aliás, fez seu próprio alerta no Bluesky nessa mesma quarta-feira, detalhando de onde pode vir esse 503:
“Se você está tirando sites em PHP do ar para lidar com ‘atualizações não planejadas’, use HTTP 503 em vez de deixar as respostas darem timeout, 404 ou 500. Dá para fazer isso fora do PHP, apontando o DNS para outro lugar ou usando uma CDN.”
Ele ainda linkou um post do Google de 2011 que mostra como enviar um 503 via código PHP — o que, convenhamos, não ajuda muito quando é exatamente o PHP que está fora do ar. Em resposta, um usuário do Bluesky fez um ranking informal das respostas, da melhor para a pior: 503, 500, 403, 404 e 200. Mueller classificou a lista como “um bom modelo”.
Como o 503 impacta o rastreamento do Google
De acordo com a documentação de taxa de rastreamento do Google, os códigos 500, 503 e 429 são a forma recomendada de reduzir urgentemente o tráfego dos rastreadores por um período curto. Quando os crawlers do Google encontram um volume grande de URLs retornando esses códigos, a taxa de rastreamento cai para todo o host, inclusive para páginas que continuam entregando conteúdo normalmente. Assim que o número de erros diminui, o Google volta a aumentar a taxa automaticamente.
- É possível incluir um cabeçalho HTTP Retry-After junto com o 503 ou 429, informando ao Google quando tentar novamente — seja em segundos, seja numa data e hora em UTC.
- A mesma documentação avisa que um rastreamento mais lento significa que o Googlebot descobre menos páginas novas e atualiza com menos frequência as já existentes.
- Campanhas do Google Ads podem ser canceladas ou pausadas nesse processo.
Vale lembrar também um comentário de Gary Illyes, do Google, dado em 2024: segundo ele, um 503 que dura de 10 a 15 minutos, de vez em quando, “não é ‘prolongado’ de forma alguma, então deve ficar tudo bem”.
Por quanto tempo o Google recomenda manter o erro 503 ativo
A página de taxa de rastreamento do Google é direta ao ponto:
“Não recomendamos fazer isso por um longo período (ou seja, mais de 1 a 2 dias), pois pode ter um efeito negativo em como seu site aparece nos produtos do Google. Por exemplo, no caso da Busca, se o Googlebot observar esses códigos de status na mesma URL por vários dias, ela pode ser removida do índice do Google.”
A página sobre códigos de status do Google — a mesma referenciada no post do LinkedIn — reforça que URLs já indexadas que passam a devolver erros de servidor “são preservadas no índice, mas acabam sendo removidas eventualmente”. Já o guia do Google sobre como pausar um site de forma temporária classifica a desativação completa de um domínio como uma medida extrema, que deveria durar bem pouco tempo — no máximo alguns dias.
O mesmo guia faz questão de avisar: nunca devolva um 503 para o arquivo robots.txt, pois isso bloqueia todo o rastreamento do site. Além disso, enquanto uma página estiver retornando 503, o Google não consegue atualizar títulos, descrições, metadados ou dados estruturados daquela URL.
Por que isso importa na prática
O 503 precisa vir de algo que continue funcionando mesmo com o PHP fora do ar — pode ser uma regra de CDN ou um servidor temporário para o qual o DNS foi redirecionado. Enquanto isso, o robots.txt deve continuar respondendo normalmente, para que o Google não perca a capacidade de rastrear o site. Na prática, trata-se de uma solução de curtíssimo prazo: a própria documentação do Google desaconselha mantê-la ativa por mais de um ou dois dias.
O que vem pela frente
Sites que ainda rodam em PHP 8.1 ou versões anteriores já não recebem mais atualizações oficiais regulares. O PHP chegou a publicar correções de código-fonte limitadas para as versões 7.4 a 8.1, voltadas a equipes que compilam o próprio PHP, e hospedagens ou fornecedores de suporte também podem disponibilizar suas próprias soluções — informação relatada por Vahan Petrosyan para o Search Engine Journal. Para quem precisar de uma pausa mais longa, acima de um ou dois dias, o guia do Google sugere usar uma página inicial indexável, servida com status 200, como espécie de placeholder temporário. Assim que o site voltar a responder com 200, a própria página de códigos de status do Google confirma que o rastreamento retoma o ritmo normal de forma gradual.
Com informações de searchenginejournal.com.