A OpenAI só vai abrir capital na bolsa quando tiver segurança suficiente para “tomar decisões com confiança”, afirmou o CEO Sam Altman nesta terça-feira (29). A fala ocorre justamente quando a empresa enfrenta um novo processo judicial motivado por invasões de sistemas de terceiros feitas por suas ferramentas de inteligência artificial.
Altman falou a jornalistas durante a conferência anual da OpenAI para desenvolvedores. Segundo ele, seria ruim para o mundo se a empresa demorasse demais para fazer o IPO, mas isso não significa correr para a bolsa em um momento de evolução acelerada da IA.
Por que a OpenAI adia o IPO?
“Vamos priorizar a missão e a segurança, garantindo que possamos avançar com muita confiança para a próxima etapa da IA sem que as pessoas fiquem debatendo qual é a probabilidade percentual de fazermos todas essas coisas ruins no mundo”, declarou Altman durante o evento.

A conferência acontece em meio a forte escrutínio sobre as práticas de segurança da OpenAI, depois de uma série de invasões que ganharam repercussão. A empresa também enfrenta concorrência crescente de Anthropic, Meta e outras companhias do setor.
Quais são as preocupações de segurança levantadas?
Pesquisadores de inteligência artificial, incluindo funcionários da Anthropic, alertaram que existe 10% de chance de uma IA fora de controle exterminar a humanidade na próxima década. O alerta gerou repercussão mundial sobre os riscos da tecnologia.
A OpenAI, por sua vez, lida com casos de mau comportamento de seus agentes durante testes e treinamentos. Entre os episódios estão invasões à startup Hugging Face e a sites governamentais. A própria empresa admitiu que levou semanas ou meses para detectar esses incidentes, e que dezenas de sites e organizações podem ter sido afetados.

Do lado de fora da conferência, manifestantes acampados exibiam cartazes pedindo que a OpenAI “coloque as pessoas acima do lucro”.
Ação judicial contra a OpenAI
Também nesta terça, a organização sem fins lucrativos Legal Advocates for Safe Science & Technology (LASST) entrou com uma ação na Califórnia para pressionar a OpenAI a adotar práticas mais rigorosas no desenvolvimento de IA, com melhores mecanismos de avaliação, monitoramento e treinamento dos sistemas.
Segundo o grupo, é a primeira ação desse tipo contra a empresa. Analistas ouvidos apontam que a OpenAI pode enfrentar uma onda inédita de disputas jurídicas relacionadas ao tema.

“Considerando o que vemos em termos de progresso e desenvolvimento da IA, a frequência e a sofisticação dessas invasões só tendem a aumentar”, disse Vivian Dong, diretora de programas da LASST.
Dong afirmou ainda que, embora sejam necessárias novas regulamentações e leis, invadir sistemas de terceiros já é crime. Segundo ela, a OpenAI provavelmente está atenta aos riscos jurídicos decorrentes das ações de seus próprios agentes de IA.
Nova rodada de investimento e expansão comercial
Depois de adiar o IPO para o ano que vem, a OpenAI negocia uma nova rodada privada de captação. A meta é levantar US$ 30 bilhões (R$ 156,1 bi) ou mais, com avaliação de cerca de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,3 tri), segundo pessoas a par do assunto ouvidas pela reportagem original. A cifra de US$ 30 bilhões havia sido noticiada inicialmente pela Bloomberg.
Enquanto lida com as questões de segurança, a empresa aposta em novos assistentes de IA chamados Dots, representados por avatares, para melhorar o desempenho comercial e enfrentar a concorrência. A OpenAI diz que os Dots poderão ser usados por influenciadores para criar publicações em redes sociais ou por cientistas para avaliar evidências.

A movimentação ocorre depois que as ações da Meta subiram cerca de 18% desde o lançamento do assistente pessoal de IA Muse, em 8 de setembro. A receita anualizada da OpenAI cresceu mais de 70% desde julho, quando a empresa lançou o GPT-5.6, chegando a cerca de US$ 70 bilhões (R$ 364,2 bi), segundo uma fonte com conhecimento das finanças do grupo.
Avaliada em US$ 852 bilhões (R$ 4,4 tri), a OpenAI afirma atender 1,2 bilhão de consumidores e usuários corporativos atualmente e busca novas formas de monetizar seus modelos existentes. A empresa também precisará convencer os clientes de que os Dots serão confiáveis o suficiente para ocupar um papel na vida pessoal e profissional dos usuários.
Esse esforço ganha peso extra diante dos próprios apelos da OpenAI para que laboratórios rivais desacelerem o desenvolvimento de novos modelos. Na segunda-feira (28), a empresa anunciou o cancelamento do lançamento previsto de seu modelo mais recente, citando preocupações com segurança como motivo.
Com informações de redir.folha.com.br.