A LiveRamp ampliou sua parceria com a OpenAI para permitir que anunciantes usem dados próprios de clientes diretamente nas campanhas do ChatGPT Ads. A novidade integra o identificador RampID, da LiveRamp, à plataforma de anúncios da OpenAI, abrindo caminho para segmentação por público-alvo com base em informações já coletadas pelas próprias marcas.
Na prática, isso significa que empresas que já usam o RampID para organizar dados vindos de sistemas de CRM, programas de fidelidade, sites e aplicativos podem agora ativar esses mesmos públicos dentro do ChatGPT. O recurso permite tanto buscar clientes e potenciais clientes específicos quanto excluí-los de determinadas campanhas.
O que muda na segmentação de anúncios no ChatGPT?
Até então, recursos como esse já eram comuns em plataformas como Google e Meta, mas inéditos no ChatGPT Ads. Com a expansão, anunciantes ganham mais uma ferramenta de direcionamento, equivalente ao que o mercado já pratica há anos em outros canais digitais.
Para quem já utiliza a LiveRamp em diferentes frentes de mídia, o ChatGPT passa a ser mais um destino possível para os dados que a empresa já ativa em seus planos de marketing, sem necessidade de criar um processo separado para essa nova plataforma.
A parceria entre as duas empresas não começou agora. Em junho, a LiveRamp já havia se tornado parceira de mensuração do ChatGPT Ads, dando aos anunciantes uma forma de conectar a exposição aos anúncios com conversões posteriores. Agora, o RampID estende essa relação também para a ativação de públicos.
Segundo a LiveRamp, o RampID funciona como um identificador que conecta dados de clientes entre diferentes plataformas de publicidade e outros destinos. Para quem já é cliente da empresa, o ChatGPT passa a integrar a lista de lugares onde esses dados podem ser usados.
A integração está disponível, por enquanto, em 11 mercados. A LiveRamp afirma que pretende expandir a cobertura conforme o ChatGPT Ads for ficando disponível em outras regiões.
Existe outra forma de usar dados próprios sem a LiveRamp?
Sim. O uso da LiveRamp não é obrigatório para quem quer trabalhar com públicos personalizados no ChatGPT. A própria OpenAI já permite que anunciantes criem Custom Audiences diretamente pelo Ads Manager.
Para isso, basta enviar um arquivo em CSV ou TXT contendo e-mails, números de telefone, versões criptografadas desses dados ou IDs de publicidade do Google. Esses públicos podem ser incluídos ou excluídos no nível da campanha, e também é possível aplicar multiplicadores de lance no nível do grupo de anúncios.
A diferença é que, para empresas que já usam o RampID em larga escala, a LiveRamp evita o trabalho de preparar e manter arquivos de público separados só para o ChatGPT.
ChatGPT Ads já se compara a Google e Meta?
Para quem já usa o Customer Match do Google Ads ou os Custom Audiences do Meta, os novos recursos do ChatGPT vão parecer familiares. Afinal, trata-se da mesma lógica: usar dados próprios para decidir quem alcançar, quem excluir e quanto vale a pena pagar por determinado público.
No entanto, ter as mesmas opções de segmentação não garante o mesmo desempenho. Google e Meta acumulam anos de dados de conversão e comportamento de anunciantes. Já o ChatGPT Ads é uma plataforma recente, na qual o contexto da conversa também influencia quais anúncios aparecem para cada usuário.
Até agora, há poucos dados públicos de desempenho sobre os Custom Audiences no ChatGPT. Por isso, começar pela exclusão de públicos pode ser uma estratégia mais segura: um varejista pode evitar gastar com quem já comprou recentemente, por exemplo, ou uma empresa de assinaturas pode excluir clientes atuais de uma oferta voltada a novos usuários.
Já usar dados próprios para buscar e priorizar públicos específicos envolve mais incertezas. As exigências de tamanho mínimo de público impostas pela OpenAI limitam o quanto um anunciante pode segmentar, e ainda não existem parâmetros públicos de desempenho comparando esses públicos com as demais opções de segmentação do ChatGPT.
Como fica o custo para anunciantes que usarem públicos próprios?
Outra dúvida em aberto é se alcançar públicos próprios no ChatGPT vai custar mais caro. A documentação da OpenAI não traz uma tabela de preços específica para os Custom Audiences. O ChatGPT Ads trabalha com cobrança por CPM e CPC, além de campanhas otimizadas para conversão, cobradas por clique ou impressão.
Ainda assim, anunciantes podem ajustar os lances quando um usuário corresponde a um Custom Audience. A OpenAI permite multiplicadores de lance que variam de 0,1x a 10x no nível do grupo de anúncios: um multiplicador de 2x, por exemplo, indica ao sistema que o lance máximo deve dobrar quando alguém pertence àquele público.
Isso dá aos anunciantes controle sobre quanto a mais, ou a menos, estão dispostos a pagar por pessoas sobre as quais já têm informações. Um varejista pode definir lances diferentes para quem já comprou antes, enquanto outra empresa pode priorizar leads qualificados vindos do próprio CRM.
O que ainda falta são parâmetros comparando o desempenho dos Custom Audiences com as demais formas de segmentação do ChatGPT. A OpenAI divulga médias de CPC e CPM no Ads Manager, mas não publicou, até o momento, dados comparativos específicos para públicos personalizados.
Vale a pena testar agora?
Para anunciantes que já têm seus dados próprios organizados via LiveRamp, testar o ChatGPT Ads pode exigir pouca configuração extra. A LiveRamp já cita um primeiro caso de uso: a Allegiance Group & Pursuant (AGP) está implementando a integração para um cliente do setor sem fins lucrativos.
Megan Morris, diretora de Soluções Integradas de Mídia da AGP, afirmou, em comunicado da LiveRamp:
Estamos constantemente otimizando os canais que usamos para alcançar nossos doadores e, como o ChatGPT Ads vem se tornando uma superfície de engajamento cada vez mais popular entre eles, é importante enxergarmos o impacto omnichannel dos nossos anúncios em todos os investimentos que fazemos.
Ainda assim, ter acesso facilitado aos dados não é, por si só, motivo suficiente para remanejar verba publicitária. Anunciantes precisam de um motivo concreto para acreditar que o ChatGPT vai entregar algo que Google, Meta ou outros canais já não entreguem, seja alcançar o mesmo público em outro momento da jornada de compra, testar se o contexto da conversa muda as taxas de resposta ou encontrar conversões adicionais em um público que já conhecem bem.
Como ainda há pouco dado público de desempenho, um teste pequeno tende a ser mais fácil de justificar do que uma migração relevante de orçamento, especialmente quando esse dinheiro sairia de campanhas com resultados já comprovados em outras plataformas. Quem precisaria de um esforço grande só para preparar os dados próprios tem ainda menos motivo para acelerar o processo: a integração continuará disponível conforme mais dados de desempenho forem surgindo.
Com informações de searchenginejournal.com.