Quem trabalha com SEO e vive de olho nos números do Google Search Console já deve ter sentido aquela sensação de que os dados sobre buscas com inteligência artificial não fecham a conta direito. E não é impressão: o próprio John Mueller, do Google, veio a público confirmar que o relatório de Search Console para IA tem falhas estruturais, justificando isso pela complexidade natural desse tipo de busca.
O que é o relatório de Search Console para IA
Esse relatório novo foi anunciado em junho de 2026, chegando primeiro para um “subconjunto” de sites e, só depois, ficando disponível globalmente a partir de 31 de agosto de 2026. Na prática, ele mostra principalmente impressões — ou seja, quantas vezes uma URL aparece em superfícies de busca com IA, como as Visões Gerais de IA (AI Overviews) e o AI Mode.
Um detalhe importante: os dados exibidos já são filtrados, o que significa que esses números não são algo à parte, mas sim uma fatia que já está contida no relatório tradicional de desempenho de busca. Ou seja, quem tenta somar os dois relatórios está, na verdade, contando a mesma coisa duas vezes.
A crítica que viralizou no Reddit

Foi justamente esse ponto que motivou uma publicação no Reddit apontando que as métricas de AI Overviews no Search Console ainda seguem a lógica antiga dos “dez links azuis” — aquele modelo clássico de posições e impressões que, segundo o usuário, gera um retrato impreciso do desempenho real de um site.
O autor da publicação levantou alguns pontos centrais:
- As métricas de impressão das AI Overviews não significam necessariamente que o usuário viu o link de fato.
- Links escondidos atrás do botão “Mostrar mais” são tratados de forma diferente e podem ter mais exposição real do que o Search Console reporta.
- A métrica de posição mede a posição da exibição das AI Overviews como um todo, não a posição do link em si.
- De forma geral, o relatório de IA generativa é uma visão filtrada, e não um dado separado.
A conclusão do usuário é que essas métricas de AI Overviews podem induzir SEOs e donos de sites ao erro se forem interpretadas sem esse contexto. Assim, ele explicou o raciocínio de forma bem detalhada:
“Google’s line is that standard impression rules apply to AI Overviews, which sounds like a non answer until you unpack what the standard rule actually is. It counts an impression when the item appears on the page of results that got served, whether or not it was scrolled into view. So no, the user doesn’t have to see it. If the AI Overview rendered and your link was in it, that’s an impression even if they never scrolled that far down.
Show More is the exception and it goes the other way. The standard rule carves out anything the user has to click to reveal, so links sitting behind that expansion don’t count until someone expands it. Those numbers are understating your exposure rather than inflating it.
Two other things about that report that catch people. Every link inside an AI Overview gets assigned the position of the AI Overview itself, so the average position you’re looking at is the slot the AIO occupied on the page, not where your link sat among the others in it. And the report is a filtered view of data already in your Web search type, not something sitting on top of it, so don’t add the two together.”
Difícil reportar visibilidade em buscas com IA de forma útil
Diante de tudo isso, John Mueller respondeu concordando com a análise feita no Reddit sobre as limitações do relatório filtrado para IA. Ele confirmou, sem rodeios, que é realmente difícil fazer esse tipo de medição de um jeito que seja útil na prática. Segundo ele:
“This is pretty much it – we tried to document it as clearly as possible in the help center page (which you can find if you search for “impressions clicks search console”), it’s a giant doc in the meantime.
Position for these is hard to do in a way that makes it useful, so we’re currently tracking it like we do for many search features (as a block), & it’s not separated out in the Gen-AI performance report.”
É hora de deixar pra trás o modelo dos dez links

Mueller foi além e reconheceu que a busca hoje é muito mais complexa do que os antigos dez links azuis, e que tentar encaixar essa nova realidade no modelo tradicional simplesmente não funciona bem. Ele completou:
“Search results pages have a lot of ways for users to interact nowadays, so the old “position 1 – 10″ is hard to map, or to make useful for site owners. If any of you have thoughts on what would be useful in terms of tracking position, I’d love to hear & am happy to discuss with the team.”
No fundo, a mensagem é clara: o modelo dos dez links já não reflete a realidade da busca há muito tempo. Ainda assim, o Google insiste em adaptar o Search Console a uma lógica de impressões que, pelo visto, não encaixa bem no universo da busca com IA — e, pelo próprio relato de Mueller, a empresa ainda não tem uma solução melhor para isso.
Principais pontos para quem trabalha com SEO
- O relatório de IA no Search Console foi montado com base em conceitos antigos da era dos dez links azuis, que não se encaixam bem na busca moderna.
- As AI Overviews podem contar uma impressão mesmo quando o usuário nunca chegou a ver o link, o que acaba superestimando a visibilidade real de uma URL.
- Por outro lado, o Search Console pode subestimar a presença de um site nas AI Overviews quando o link está escondido atrás do “Mostrar mais”, já que essa exposição só é contabilizada depois que alguém expande o conteúdo — uma informação e tanto para quem faz SEO.
- A posição reportada para buscas com IA reflete o posicionamento do recurso de IA como um bloco inteiro, e não a posição do link individual — o que contradiz justamente o que mais importa para quem otimiza páginas.
- Mueller basicamente confirmou que o relatório de desempenho de IA generativa ainda é inadequado e que o Google, por ora, não tem uma solução melhor pronta.
Com informações de searchenginejournal.com.