O IPO da Anthropic promete transformar em bilionários — ou multiplicar ainda mais fortunas já existentes — os investidores que apostaram na empresa por trás do chatbot Claude. Quando a Iconiq Capital fez seu primeiro aporte na companhia em 2025, a startup já estava avaliada em US$ 183 bilhões, um valor que já a colocava entre as mais valiosas do mundo da tecnologia. Mesmo assim, essa entrada considerada tardia deve render retornos astronômicos conforme a empresa se aproxima de sua estreia em Wall Street.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a Iconiq investiu mais de US$ 6 bilhões na Anthropic e hoje detém uma fatia avaliada em cerca de US$ 17 bilhões, com base na última avaliação privada da companhia, de US$ 965 bilhões. Esse foi o maior investimento da história da gestora — e o valor pode simplesmente dobrar se a Anthropic concretizar seu IPO com uma avaliação próxima de US$ 2 trilhões, cenário que parte do mercado já projeta.
IPO da Anthropic deve gerar ganhos bilionários em toda a cadeia
A expectativa é que a abertura de capital da Anthropic beneficie não só grandes fundos de venture capital, mas também empresas de tecnologia e investidores independentes que apostaram na criadora do Claude desde sua fundação, em 2021. Ou seja, a lista de vencedores reúne tanto quem entrou lá no começo quanto quem chegou mais tarde e surfou a valorização acelerada da empresa ao longo do último ano.
A Spark Capital, por exemplo, é a única gestora de venture capital conhecida por ocupar um assento no conselho da startup. Ela investiu US$ 75 milhões na Anthropic em 2023 — o maior aporte já feito pela firma — e essa participação hoje vale cerca de US$ 7 bilhões, segundo uma fonte.
Já a Sound Ventures, fundada pelo empresário Guy Oseary e pelo ator Ashton Kutcher, colocou US$ 35 milhões naquela mesma rodada de 2023, época em que a Anthropic valia US$ 5 bilhões. De lá para cá, a gestora injetou outros US$ 400 milhões em rodadas seguintes, acumulando uma fatia hoje avaliada em bilhões de dólares. Atualmente a empresa é tocada por Oseary e pela sócia-diretora Effie Epstein, já que Kutcher deixou a gestora no início deste ano.
De entrantes tardios a apostas pioneiras
Em contraste com movimentos mais antigos, a tradicional Sequoia Capital — famosa pelos investimentos pioneiros na OpenAI — só entrou na Anthropic no início de 2026. Ainda assim, o aporte de US$ 3 bilhões garantiu à gestora uma fatia próxima de 1% da empresa, segundo uma pessoa a par do assunto, o que deve render um retorno bastante expressivo.
O fundo soberano de Cingapura, GIC, também soma cerca de 1% de participação na Anthropic após investir mais de US$ 4,5 bilhões desde sua primeira aplicação, feita no ano passado. Vale lembrar que, em agosto, a Anthropic fechou parceria estratégica com a GIC e com a Macquarie Asset Management para construir data centers.
Anthropic, Sequoia, Iconiq, Sound Ventures e GIC optaram por não comentar o assunto. A Spark Capital, por sua vez, não respondeu aos pedidos de manifestação.
Documentação do IPO deve sair nos próximos dias
A previsão é que a Anthropic protocole publicamente a documentação do IPO nos próximos dias, dando início a um processo que pode virar um dos maiores eventos de geração de riqueza da história recente da tecnologia. Na prática, a operação deve engordar ainda mais o patrimônio dos sete cofundadores bilionários da empresa e transformar milhares de funcionários em milionários.
Além disso, os efeitos dessa abertura de capital tendem a se espalhar por todo o ecossistema de tecnologia e venture capital, alimentando novos aportes em inteligência artificial justamente num momento em que cresce o debate sobre uma possível bolha no setor.
Assim como a rival OpenAI, a Anthropic buscou dinheiro em várias frentes para bancar os gastos pesados com chips, data centers e contratação de talentos — tudo isso necessário para desenvolver modelos mais avançados e ampliar o uso de suas ferramentas. Nesse processo, parceiros e fornecedores como Google (da Alphabet), Amazon e Nvidia investiram bilhões de dólares na startup, movimento que já levantou preocupações sobre possíveis estruturas de financiamento circulares sustentando o boom da IA — mas que, de todo modo, deve gerar retornos robustos para essas gigantes.
Dos investidores-anjo à Menlo Ventures
Nos primeiros anos, porém, a Anthropic dependia principalmente de investidores-anjo de alto patrimônio, caso do ex-CEO do Google Eric Schmidt e do fundador da falida corretora de criptomoedas FTX, Sam Bankman-Fried. Segundo reportagens da Bloomberg, Schmidt detém cerca de 1% da companhia, posição que deve lhe garantir um dos maiores ganhos individuais entre os acionistas da empresa.
Em 2023, a Menlo Ventures se tornou uma das primeiras gestoras a apostar na Anthropic, numa época em que a empresa ainda era vista como concorrente menor da OpenAI e tinha receita limitada. Desde então, a Menlo já investiu mais de US$ 1 bilhão na startup, incluindo um cheque de US$ 500 milhões para liderar a rodada Série D — o maior investimento já feito pela gestora. De acordo com a Bloomberg News, essa participação valia cerca de US$ 14 bilhões na rodada mais recente de financiamento, o que representa uma fatia inferior a 2% da empresa.
A Lightspeed Venture Partners, que também entrou na Série D e em rodadas posteriores, possui participação igualmente inferior a 2%, segundo outra fonte — informação já divulgada anteriormente pelo New York Times. Entre os outros nomes relevantes na lista de investidores da Anthropic estão a Founders Fund, de Peter Thiel, além de Altimeter, Coatue e Greenoaks. Procuradas, Menlo e Lightspeed preferiram não comentar.
Por fim, vale destacar a fala de Venky Ganesan, sócio da Menlo Ventures, dada em entrevista em junho sobre os primeiros aportes da gestora na Anthropic:
“Ser contrarian é como se ganha dinheiro. Era um momento solitário; quase ninguém queria investir.”
Em resumo, o caminho da Anthropic até aqui mostra como apostas feitas em momentos muito diferentes — algumas arriscadas e solitárias, outras mais tardias e calculadas — podem convergir para o mesmo resultado: um IPO capaz de redesenhar fortunas e reacender o apetite do mercado pela inteligência artificial.
Com informações de infomoney.com.br.